
Com o Carnaval começando, cresce o consumo de bebida alcoólica e, junto, um hábito comum em festas e blocos: misturar álcool com energético
O energético pode acelerar o coração e elevar a pressão, especialmente quando consumido em grande quantidade. A maioria das marcas tem de 80 mg a 300 mg de cafeína por porção, o equivalente a tomar entre uma e três xícaras de café coado de uma vez.
Além da cafeína, outros estimulantes podem somar efeito no organismo. Ingredientes como taurina e guaraná podem potencializar a ação um do outro e, em pessoas mais sensíveis, favorecer arritmias (batimentos desordenados) potencialmente graves e até parada cardíaca pouco tempo após o consumo.
O risco aumenta em quem já tem alguma vulnerabilidade cardiovascular. Qualquer pessoa pode sentir o coração acelerar, mas o problema tende a ser maior em pessoas suscetíveis, com possibilidade de o órgão "perder o compasso" e bater muito mais forte.
Há estudos que observam associação entre energético e eventos cardíacos, mas isso não significa causa e efeito. O cardiologista Michael Ackerman, da Mayo Clinic, avaliou 144 pessoas que sofreram parada cardíaca repentina; sete delas (5%) tinham consumido energético pouco antes de passar mal, e a investigação considerou também fatores como medicamentos, exercício extenuante, substâncias tóxicas, estresse extremo e privação de sono.
O combo pode mascarar a percepção de embriaguez e levar a mais consumo e mais risco. A pesquisadora em dependência química Erica Siu, que é biomédica, diz que a cafeína age como estimulante e o álcool como depressor do sistema nervoso central; com isso, a pessoa pode "sentir menos" o efeito do álcool, sem que o álcool deixe de agir no corpo.
Segundo Siu, estudos indicam que a mistura está ligada a comportamentos de risco. Ela afirma que o energético pode reduzir a percepção de embriaguez e favorecer atitudes como beber mais álcool e ter comportamento sexual de risco.
A desidratação pode vir mais fácil quando os dois entram na conta. Siu afirma que cafeína e álcool são diuréticos (aumentam o fluxo urinário) e, por isso, podem contribuir para desidratação; ela recomenda evitar a mistura e, quando houver consumo, manter hidratação e alimentação.
Cardiologista alerta que a combinação pode virar "bomba-relógio" para o coração em alguns casos. O cardiologista Roberto Kalil, professor da Faculdade de Medicina da USP e diretor do Centro de Cardiologia do Hospital Sírio-Libanês (SP), afirma que o excesso de estimulantes favorece aumento da pressão e da frequência cardíaca e que a associação com álcool pode potencializar esses efeitos, sobretudo em quem já tem arritmias ou doença das coronárias.
Pessoas com maior sensibilidade à cafeína e com doença cardiovascular precisam de cuidado extra. Embora o combo seja tolerado pela maioria sem alterações no peito, há quem possa ter sintomas com uma única dose, e que o risco é maior em pessoas vulneráveis.